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Jessé Souza alerta para riscos de extremismo no Brasil com crescimento evangélico

Sociólogo compara cenário possível brasileiro ao Irã e crítica falta de ação da esquerda
  • Categoria: Gospel
  • Publicação: 01/11/2024 16:48
  • Autor: Redação

O sociólogo Jessé Souza, durante o lançamento de seu livro “O Pobre de Direita: A Vingança dos Bastardos”, fez declarações polêmicas sobre o impacto do crescimento da população evangélica no Brasil. Ele anunciou que o país corre o risco de se tornar uma sociedade extremista, elaborado a nações como o Irã, com uma elite ocidentalizada convivendo com uma maioria que ele descreve como presa a valores considerados medievais.

Crescimento evangélico e o temor de um “Evangelistão”

Souza explicou que o aumento da adesão às igrejas evangélicas, principalmente às correntes pentecostais e neopentecostais, está evoluindo o tecido social do Brasil. Em sua análise, ele argumenta que o discurso religioso dessas igrejas contribui para uma mentalidade de que, segundo ele, “sacrifica o intelecto” e evita discussões críticas sobre a realidade social e os desafios econômicos do país. A preocupação central do sociólogo é a possibilidade de um "Evangelistão", termo que usa para descrever um país dominado por valores religiosos conservadores, semelhante ao que ocorre em algumas regiões do Paquistão ou Afeganistão, onde grupos de maioria religiosa mantêm forte controle político.

Souza ilustra sua visão de um Brasil culturalmente dividido, com uma elite que mantém valores progressistas em oposição a uma maioria religiosa que, na perspectiva dele, seria cada vez mais influente na política e nos comportamentos sociais. Ele aponta que essa divisão pode levar a graves graves, alterando os rumores do país.

Crítica à esquerda brasileira e ao filtro político

O sociólogo também não poupou críticas à esquerda brasileira, que, na sua opinião, tem sido ineficaz e “inexistente” ao tentar oferecer uma alternativa de projeto nacional que seja viável para as classes C, D e E. Ele acredita que falta de um O discurso convincente por parte dos movimentos progressistas deixou um espaço vazio, que foi ocupado pela mensagem simplificada, mas eficaz, das lojas evangélicas. Segundo Souza, isso impulsionou o apoio de uma parcela significativa da população às pautas conservadoras.

Para ele, a adesão dessas classes sociais à fé evangélica não é apenas uma questão religiosa, mas também ideológica, que tem o poder de intervenção profunda nas decisões políticas e na estrutura social do Brasil. A crítica de Souza se baseia na ideia de que o discurso religioso mobiliza pessoas de forma emocional, sem oferecer espaço para reflexões racionais ou análises críticas das desigualdades que permeiam o país.

A relação entre fé e política

Jessé Souza argumenta que o crescimento da fé evangélica não pode ser ignorado e que seu impacto vai além da espiritualidade, influenciando questões políticas e econômicas. Em sua análise, ele sugere que os líderes religiosos conseguiram consolidar sua base de justiça com discursos que prometem soluções psicológicas para problemas terrenos, deixando de lado a reflexão sobre políticas públicas que poderiam trazer melhorias estruturais para as classes mais baixas.

O sociólogo também alerta que as características evangélicas no Brasil não são um caso isolado, mas fazem parte de uma tendência global de fortalecimento de movimentos religiosos conservadores que ganham espaço na política. Ele observa que, enquanto outros países lidam com conflitos entre modernidade e tradição, o Brasil está à beira de uma transformação que pode alterar radicalmente seu cenário social e cultural.

Com essas observações, Jessé Souza provoca reflexões e debates sobre o futuro do país, ressaltando que as mudanças demográficas e religiosas são fundamentais para entender os rumores políticos e sociais que o Brasil pode tomar. Ele acredita que apenas uma compreensão mais profunda das motivações dessas transformações pode levar a soluções que integrem, em vez de dividir, a sociedade brasileira.

Fonte: Gospel Prime